A neurorreabilitação das funções cognitivas em pessoas com Esclerose Múltipla – EM baseia-se numa combinação de abordagens comportamentais (cognitivas e exercícios físicos) e farmacológicas. Entretanto, dada a atual falta de evidências de abordagens farmacológicas e de exercícios físicos, a neuroreabilitação cognitiva é uma intervenção atual de escolha (Benedict et al., 2017).

Consequentemente, a neuroreabilitação é primordial, em função da frequência e gravidade das deficiências cognitivas no EM e do seu impacto na vida cotidiana. Por exemplo, na revisão da Cochrane realizada por Nair, Martin, & Lincoln (2016), foi indicado o efeito clínico significativo da intervenção na memória de curto e longo prazo, acompanhado de melhoria substancial na qualidade de vida desses pacientes (Benedict et al. , 2017).

Outro exemplo, essa de recomendação máxima (classe 1), é a Técnica de Memória de História modificada (mSMT). Uma técnica é projetada para melhorar a aquisição de novo aprendizado. Os resultados indicaram melhorias específicas na aprendizagem, na memória e na vida cotidiana dos pacientes (Benedict et al., 2017).

Do mesmo modo, outras técnicas de modulação da memória têm se mostrado resultados na melhoria da coleta, armazenamento e recuperação de conteúdo mnemônico: a aprendizagem espaçada, a aprendizagem autogerada e a prática de recuperação – ou o efeito de teste (Benedict et al., 2017 ).

Importante ressaltar que não é apenas o domínio mnemônico que é foco de intervenção efetiva. Outros recursos vêm sendo demonstrados como essenciais para modular a atenção, memória operacional e outros subnúcleos das funções executivas (Benedict et al., 2017).

Igualmente, numerosos estudos demonstraram que a reabilitação cognitiva não apenas melhorou as funções cognitivas e a atividade da vida cotidiana, mas também promove mudanças adaptativas na atividade cerebral por meio da neuroplasticidade (Benedict et al., 2017).

Por exemplo, Chiaravalloti et al. que as melhorias cognitivas e comportamentais observadas usando a intervenção comportamental mSMT foram relacionadas ao aumento da atividade em várias redes perigosas, aumento da conectividade funcional no estado de segurança entre o hipocampo e outras estruturas estruturais, e que esses efeitos foram prejudicados no acompanhamento de longo prazo prazo (Chiaravalloti et al., 2020).

Existem agora alguns estudos de pesquisa que mostram mudanças de plasticidade adaptativa semelhantes, observando vários tipos e formas de reabilitação cognitiva em pessoas com EM (Benedict et al., 2017).

Em resumo, diante de resultados mistos, geralmente negativos, de intervenções farmacológicas para melhorar a memória e o exercício físico, embora promissor, seus efeitos definitivos na cognição aguardam novas pesquisas com projetos metodológicos aprimorados, até o momento, as instruções de base cognitiva continuam sendo uma abordagem mais eficaz para tratar o comprometimento cognitivo nesse grupo clínico (Benedict et al., 2017).

FONTES:

Benedict, RHB, DeLuca, J., Enzinger, C., Geurts, JJG, Krupp, LB, Rao, SM, 2017. Neuropsicologia da Esclerose Múltipla: Olhando para Trás e Seguindo em Frente. J. Internacional. Neuropsicológico. Soc. 23, 832–842. https://doi.org/10.1017/S1355617717000959

Chiaravalloti, ND, Moore, NB, DeLuca, J., 2020. A eficácia da técnica de memória de histórias modificada na EM progressiva. Mult. Escler. J. 26, 354–362. https://doi.org/10.1177/1352458519826463