Em 1983, Bradley (1983) revisou os estudos israelenses e americanos para determinar algo parecido com o que discutimos em terminologias atuais quanto ao grau de evidência de recomendações do Programa de Enriquecimento Instrumento (PEI)  quanto ao seu efeito clínico nas modificações de estruturas cognitivas de adolescentes com Deficiência Intelectual (DI).  O autor argumenta que embora a pesquisa tenha produzido alguns resultados estatisticamente significativos em favor do grupo do PEI, a importância dessas descobertas seria questionada com base em falhas no projeto da pesquisa, na magnitude relativamente sem importância das diferenças médias que foram relatadas como significativas e, na deficiência quanto mudanças de pontuação em medidas de capacidade cognitiva para se refletir no desempenho escolar.

Consequentemente, ele conclui que as alegações de que a pesquisa leva "apoio substancial" à eficácia do PEI deveriam ser rejeitadas.

E foram rejeitadas já por quase 38 anos! E o instrumento jogado ao limbo do esquecimento! No seu lugar não foi incorporado nenhum outro produto com o seu potencial. A exceção são os trabalhos nos campos da inteligência e da deficiência intelectual de J.P. Das (Jagannath Prasad Das), esse também desconhecido pelos neuroreabilitadores atuais.

E adversamente, o foco nos últimos anos das pesquisas quanto a intervenção em DI se voltou para as questões motoras e funcionais, apesar de com problemas sérios também no desenho de pesquisa e preteriu os aspectos cognitivos primários da condição clínica, como o raciocínio, ou em especial a terceira unidade funcional de A. R. Luria (1973), acoplada com a etapa de elaboração de Feuerstein.

Com certeza, a posologia errada junto com designer de pesquisa desastroso não invalida inicialmente o recurso. As falhas apontadas por Bradley (1983) são sem dúvidas relevantes. Entretanto, a julgar a vanguarda de suas críticas ao instrumento, o mais sensato seria modificar e aprimorar a metodologia de pesquisa e, não desconsiderar o instrumento em si, conforme autor sinaliza em seu estudo quanto a necessidade de ajuste nas futuras investigações, mas não o seu abandono.

Efetivamente, o PEI despertou muita atenção e interesse nas últimas décadas do século passado, como um modelo para diagnosticar e intervir nos déficits cognitivos de crianças com DI. E atualmente, há uma urgência no seu resgaste com fundamentação empírica.

O PEI é um modelo criado por Reuven Feuerstein para avaliação dinâmica e instrução de desempenho aplicado, entre outras condições clínicas, em deficientes intelectuais. A atenção e o interesse são bem-merecidos porque, se as reivindicações feitas por esse modelo forem apoiadas por um corpo de pesquisas com designer adequado, as ramificações enviarão ondas de choque por todo o mundo da neuroreabilitação e da educação especial (Bradley, 1983).

Por exemplo, se os profissionais da saúde e educação podem avaliar a natureza dos déficits cognitivos específicos que prejudicam o funcionamento intelectual de uma criança; se essa avaliação leva a um programa eficaz de intervenção cognitiva e; se os efeitos desse programa corretivo são duráveis ​​e generalizam-se para outras atividades de vida-diária e instrumental além do treinamento tarefas; não há dúvidas de que o campo da saúde cognitiva enfrentará a necessidade de mudanças perturbadoras (Bradley, 1983).

Em nossa clemência por aqueles a quem estamos comprometidos em tratar, todos queremos acreditar que o modelo de Feuerstein para modificabilidade cognitiva tem, ou irá, em breve adquirir aquele grau de suporte empírico necessário para recomendar sua adoção generalizada. (Bradley, 1983).

Fonte:

Bradley, T. B. (1983). REMEDIATION OF COGNITIVE DEFICITS: A CRITICAL APPRAISAL OF THE FEUERSTEIN MODEL*. Journal of Intellectual Disability Research, 27(2), 79–92. https://doi.org/10.1111/j.1365-2788.1983.tb00281.x