MÚSICA: UMA TERAPIA ADAPTATIVA E FUNCIONAL NA NEURORREABILITAÇÃO DE DOENÇAS RELACIONADAS AO ENVELHECIMENTO
Por Maria Ramim
No campo da neurorreabilitação, uma abordagem que ganhou destaque nos últimos anos é o uso da música como uma ferramenta terapêutica eficaz e adaptativa para pacientes que enfrentam condições clínicas relacionadas ao envelhecimento, como o Acidente Vascular Encefálico (AVE) e as demências. Este avanço está alinhado com as descobertas apresentadas no artigo de referência de Särkämö et al. publicado " Cognitive, emotional, and neural benefits of musical leisure activities in aging and neurological rehabilitation: A critical review".
De acordo com o artigo de Särkämö et al., a música é uma ferramenta terapêutica importante devido à sua capacidade de envolvimento de funções auditivas, cognitivas, motoras e emocionais nas regiões corticais e subcorticais do cérebro. Além disso, o processamento de estímulos musicais é relativamente preservado durante o processo de envelhecimento e nas fases iniciais das demências, tornando-a um aliado no fortalecimento de habilidades na reabilitação de doenças neurológicas associadas ao envelhecimento, como o AVE e a doença de Alzheimer.
Um dos principais benefícios destacados pelo estudo é que a música pode ser uma ferramenta terapêutica agradável e eficaz no cuidado diário dos pacientes. Além das sessões formais de musicoterapia, as atividades de lazer musical, como ouvir música e cantar, podem ser realizadas pelos pacientes individualmente ou com o auxílio de um cuidador. Essas atividades não apenas modulam as funções cognitivas associadas ao processamento sensorial de um estímulos com conteúdo de codificação implícita, mas também promovem o bem-estar psicológico durante o processo de envelhecimento e reabilitação neurológica.
A importância desse enfoque baseado na música é ainda mais significativa à medida que a população envelhece e a incidência e prevalência de condições neurológicas relacionadas ao envelhecimento aumentam rapidamente. A música fornece uma forma não invasiva e agradável de melhorar a qualidade de vida dos pacientes, ajudando a mitigar os sintomas associados a essas condições, como déficits cognitivos, depressão e ansiedade.
Além disso, a música pode ser personalizada para atender às necessidades individuais de cada paciente. Isso significa que as escolhas musicais podem ser adaptadas com base nas preferências e no histórico musical de cada pessoa, tornando o tratamento mais eficaz e envolvente.
Em resumo, o estudo de Särkämö et al. destaca a música como uma ferramenta promissora na neurorreabilitação de doenças neurológicas relacionadas ao envelhecimento. À medida que continuamos a enfrentar as dificuldades atreladas ao envelhecimento da população e o aumento nas incidências dessas condições, é fundamental que exploremos e aproveitemos o poder da música para melhorar a qualidade de vida e o bem-estar dos pacientes. A música não é apenas uma terapia, mas também uma fonte de alegria e conexão para aqueles que enfrentam desafios neurológicos, oferecendo esperança e alívio em sua jornada de reabilitação. A música ameniza as barreiras pessoais e mitiga algumas incapacidades na execução de tarefas e restrições na participação.
Fonte: Särkämö T. Cognitive, emotional, and neural benefits of musical leisure activities in aging and neurological rehabilitation: A critical review. Ann Phys Rehabil Med. 2018 Nov;61(6):414-418. doi: 10.1016/j.rehab.2017.03.006. Epub 2017 Apr 29. PMID: 28461128.