Delineamento de uma tempestade: interfaces biológicas entre o estresse e o Acidente Vascular Encefálico – AVE do tipo hemorrágico

Um crescente corpo de evidências demonstra que o estresse psicossocial é um fator de risco importante e muitas vezes é subestimado para doenças cardiovasculares, como o infarto do miocárdio e o AVE.
Abaixo, o mapeamento feito por Kronenberg et. al. (2017) quanto as principais interfaces biológicas entre o estresse e transtornos psiquiátricos relacionados ao AVE, com ênfase especial ao fato de que o estresse e os transtornos psiquiátricos podem ser causa e consequência de doenças cardiovasculares. Ele cita por exemplo:
1) os padrões comportamentais influenciando na etiopatogenia da doença arterial coronariana: impaciência; hostilidade de senso de urgência de tempo e ansiedade; estresse no trabalho, em casa e financeiro; bem como os principais eventos adversos ansiogênicos do ciclo da vida.
2) além desses estressores psicológicos, a depressão clínica é associada a um maior risco de AVE e infarto do miocárdio e exerce forte influência negativa sobre o resultado funcional e na recuperação desses dois eventos citados. Delineando uma realidade clínica importante que, infelizmente, é frequentemente perdida pelos profissionais de saúde no atendimento ao paciente.
Logo, as sequelas psiquiátricas atreladas a repercussão fisiológica cardiovasculares, como a depressão pós-AVE ou transtorno de estresse pós-traumático são altamente prevalentes e podem, por sua vez, exercer efeitos de longo alcance na recuperação e evolução, qualidade de vida, eventos isquêmicos recorrentes, adesão a medicação e mortalidade e devem ser atendidas no rol de intervenções.
Fonte: Kronenberg, G., Schöner, J., Nolte, C., Heinz, A., Endres, M., Gertz, K., 2017. Charting the perfect storm: emerging biological interfaces between stress and stroke. Eur. Arch. Psychiatry Clin. Neurosci. 267, 487–494. doi:10.1007/s00406-017-0794-x